terça-feira, 11 de agosto de 2015

Chuá!

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Hoje chove
Não triste
Como outrora te disse
É uma chuva de correr e sentir as gotas geladas sorrindo
De pular e cantar singing in the rain
Mesmo que pareça idiota
Mesmo que liguem
Não ligo
Danço
Corro
Sorrio
Chovo
Sinto
Gosto
Do gosto de sentir
Sorrir
Correr
Me chover
Me chovo
E sorvo
Do prazer
Da chuva
Que cai
E mesmo no cinza
Consigo ver a beleza do dia
Que logo se vai
Enquanto o sol se esconde por entre as nuvens
E me sorri de canto
Enquanto a chuva cai
E vem
E vai
As serelepes gotas
Caem
E vem
E vão
Nunca
Em vão
Pois sei que as cores virão
Logo em seguida
Das gotas que me cobrem
Ousadas
Discretas
Geladas
Sem cores
Menores
Do que meu colorir
Que me faz rir
Mesmo em meio ao cinza
Que te cobre
E logo se vai
Pois há um tanto que cores
Que em ti caem
E te sorriem
Enquanto as gotas
Caem
Em
Nós 
Que se desfazem em cores
Que cobrem
Nós
Dois
E sorvem
O cinza que outrem
Depositou
E cores
Explodem
E chovem
E molham
Te olham
Sorriem
Só riem
Em nós
Sós


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Vertente

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Que eu seja como a água
Corrente
Que dança por entre os caminhos e percorre distancias enormes suavemente
Que eu seja como a água
Fluída
E calmamente percorra meus caminhos
Que eu seja como a água
Incontrolável
Para atingir o seu destino final
Que eu seja como a água
Que se expande e ocupa o espaço que deseja
Que eu seja como a água
E escorra
Por entre eu
E você
E nós
Que eu seja como a água
Espelhando
A nascente do meu próprio ser
A verter
Sempre a te ver
E jamais temer
Apenas
Tremer
Nascer
Viver
Ver

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Digerindo SE

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Ela estava sentada naquela escada olhando o rosado que restava do pôr-do-sol que ela queria ver 43 vezes hoje
As pessoas passavam, sirenes, bicicletas, cachorros, gargalhadas e ela continuava imóvel olhando pro além numa dimensão paralela àquela realidade
Parecia flutuar junto com as ondas do lago, que faziam um barulho suave, o mesmo tempo em que a brisa brincava suavemente com seu cabelo fazendo movimentos de vai e vem
Toda uma vida passava pela sua cabeça, situações se empilhavam junto com sentimentos e a única coisa que podia alentar era aquela vista com o ar puro
Quando o último raio de sol deixou o céu, ela também deixou aquele degrau e saiu caminhando olhando para o horizonte, como se estivesse sozinha em meio a tanta gente (e sim, ela estava). A brisa continuava acariciando seu rosto suavemente e brincando com os fios de cabelo que estavam soltos.
Decidiu mais tarde continuar a saga num ambiente noturno, e apenas caminhou, desbravando novas estradas, que davam no mesmo final, mas não eram repetitivas e sem graça como o mesmo caminho de sempre. Caminhava, observava, respirava e a brisa a aliviava
Na cabeça um mundo da sua própria vida
Na sua própria vida um novelo de lã, que ela tinha que desamarrar e pensava em cada nó cautelosamente
Não sabia necessariamente como desatar, mas sabia que o faria
Mas agora só precisava sentir o vento soprando nos seus ouvidos os segredos da noite
Precisava ouvir mais sobre o segredo de voar livremente e levar consigo muitas histórias
Ela já voava há um tempo, mas sempre se pode descobrir mais sobre o segredo do vôo, afinal ele é eterno e incansável
E agora ela só precisava mergulhar nessa zona abissal de humanos dentro do seu próprio universo, nadando, voando e sentindo
A brisa do vento
Ao relento

Lento

sábado, 1 de agosto de 2015

X-preita!

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Observo
E sinto
A essência que te envolve
Gosto
Sorrio
Te vejo de dentro pra fora
Te fazes o que não és
Como uma proteção
Forte
Não impenetrável
Improvável
Não impossível
Passível
De paz
E zela
Pelo teu passo
Que dizes ser suave
Mas vejo pesaroso
Quanto remorso
Ainda assim admiro
Te miro
Por tentar acompanhar o vôo
Logo te vejo acima
Voando e flutuando
Como dizes ser
Mas não o és
Logo te vejo leve
Como dizes ser
Mas diferente do que tentas ser
Pois és maior que esse chão que insistes em pisar
E logo quebrará
Levando-te a bailar
E voar
Com o ar
Nesse mar
Que insistes em remar,
Ainda que sem ar.
No ar
Estarei a te esperar
E teu vôo
Hey de guiar
Quando desistires de apenas caminhar
E concretizares teu sonhar
Com os pés entregues
Ao ar
Pelo caminho do mar
A vagar
Sem parar
Amar
Há mar
Há ar
Há!


Gosto!

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Gosto do que não é raso
Gosto do que me faz explorar zonas abissais
O simples nunca me atraiu
O “normal” é muito sem graça
Gosto do sal do mar
Do gelado da cachoeira
De não dar pé
Todas as minhas escolhas se baseiam no que é mais difícil
Nem sempre conscientemente,
Mas gosto de desafios
Gosto de nadar sem chão e chegar no outro lado do rio
Com meus próprios pés
Gosto de pisar onde não vejo
Onde não sei
Pois assim saberei
E vou desbravando os mares mais profundos
De dentro da minha barca
Vôo quando quero
Pouso quando preciso
Coloco o pé no chão?
Só por um breve momento
Porque a segurança nunca me é totalmente segura
Pois SEGURA
E só quero voar
Nadar
E imergir no que me tromba
Ou no que EU trombo
Pouco importa
Contanto que não dê pé
Exploda
Morra
Viva
Reviva
Sinta
Pulse
E morra de novo
Porque toda morte é um começo
E todo começo também uma morte

Sorte!

domingo, 28 de setembro de 2014

Euezificação

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Humanos passam a vida toda tentando se encaixar em padrões pra no fim perceberem que na realidade o belo é serem eles mesmos da forma mais crua possível.
Eu lembro que quando era pequena queria sorrir igual a Luana Piovani, porque pra mim era lindo, eu forçava com duas bolinhas de ar por dentro da boca e certamente parecia ridícula aos olhos de quem me via fazer isso, mas eu tinha 6 anos, ridículo não existia. Eu gostava de ser estranha e observar absolutamente tudo o que faziam na sala de aula (sempre pegava alguém tirando tatu do nariz achando que ninguém estava vendo, mas eu era “ninguém”). Eu era meio invisivel e esse observar me era interessante, conseguia ver a essência das pessoas de certo modo, gostava de medir e comparar tudo. Tinha uma colega na quinta serie que era a diva da turma, certo dia eu me peguei medindo o tórax dela no ar porque achava um tamanho simétrico legal e queria ver a diferença dele pros outros e pro meu (que devia ser o dobro). Nessa epoca eu nao tinha vaidade amadurecida, eu usava bermuda e camisetão, era a crianca gordinha que já tinha peitos justamente por ser gordinha e tinha vergonha de expor meu corpo. Mas eu aprendi a usar aquilo que gostava, aquilo que me fazia sentir bem, na realidade o que eu tinha era uma filhote de vaidade. Comecei a usar uns batons de cores nada óbvias junto com uma das minhas melhores amigas, achava lindo, eram únicos, ninguém tinha igual e a gente se trocava. E uma ia de grafite, a outra de azul, depois preto e verde. Óbviamente os mais velhos não entendiam a mágica, mas achavam interessante de uma forma curiosa e respeitosa. Que bom que naquela época ainda existia educação.
Então eu tive que trocar de colégio. Mas qual a relação? Calma, eu estava aprendendo a me ser e no meio de muita gente mesquinha nesse novo colégio eu sufoquei o meu ser de certo modo, pois pra eles o meu ser era ridículo e isso me afetava diretamente (embora no dia seguinte sempre me copiassem). Sofri muito nessa época, mas conheci bastante dos meus amigos livros e isso ampliou demais meus horizontes, porque eu ficava longe de toda aquela banalização do ser. Não a toa, meu estilo ficou meio afetado nessa época, meio “deseuzado”, porque era legal usar Rip Curl e Reef, apesar de não combinar comigo eu ainda dava um jeito de adaptar no meu eu sufocado de ser. Até que isso não durou muito, felizmente.
Mais uma roda girou e eu fui entrando naquela fase gótica de odiar o mundo, as pessoas e o preto era meu pastor: jeans rasgado e uma maquiagem de panda, o sobretudo nunca deixava de me acompanhar faça calor, frio, chuva sol (pois também escondia um bocado das minhas gorduras). Aí eu evoluí pra uma coisa mais agressiva, demonstrando todo aquele ódio pelos humanos, com spikes, pregos nos meus acessórios, rebites, black metal e esse lado negro da força. Algumas pessoas se benziam ao passar por mim, eu ria e seguia com os meus 20 kgs de acessórios perigosos.
Depois troquei de novo de colégio já com meu estilo bem definido e uma bandana na cabeça. As pessoas já me conheceram assim, então não foi choque pra ninguém, os livros continuaram do meu lado e eu finalmente conheci mais pessoas sem preconceito exacerbado que me aceitavam como eu era. Essa fase durou bastante tempo. Eu gostava de maquiar olheiras porque eu não tinha mas achava bonito. Eu usava o moletom mais largo de todos primeiro pra disfarçar minha gordura, depois que emagreci pros meninos não ficarem me olhando. Quem me via fora do colégio levava um susto por eu parecer muito mais feia lá dentro, talvez propositalmente. Essa barreira pra não ser a pop da escola me deixava bem.
Depois de toda essa fase negra eu fui introduzindo as cores, essas que me definem tão bem. Perdi o medo de misturar estampa, cor. Eu misturava tudo que eu queria e gostava junto, e me fazia feliz, me FAZ feliz, pois sou eu. Bom, no início eu ainda procurava inspirações em gente que eu admirava pra tentar me parecer um tanto. Aí, eu descobri que alguém gostava de mim pelo que eu era e não pelo que eu era dos outros e a partir de então comecei a ser mais eu do que nunca e esse meu euezificar me fez muito mais livre e feliz.
Esses dias eu ouvi que moda é inútil, aliás não é a primeira vez que eu ouço isso. Eu sinto um pouco de pena de quem pensa isso, pois posso ver o quão superficial é o pensamento de tais pessoas. Você pode saber exatamente quem uma pessoa é e o quão original ela é pelo modo como ela se veste, e isso é o mínimo.
Como vocês podem ver eu continuo observando tudo, de repente foi por isso que me deram esses olhos tão grandes.


Agora se me dão licença eu vou ali observar mais um pouco da janela do meu quarto, porque essa brisa está querendo conversar coisas em particular que eu não posso contar agora, senão ela leva embora.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Quebrando o silêncio

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É faz tempo..
Faz tempo que não posto sobre minhas descoloridices
Faz tempo que me descolori tanto que não me achei
Tanta coisa mudou nesse meio tempo
Mas tem algo aqui dentro que continua igual
O pior é ter que sufocar isso por causa de algo inominável
Quando a gente sufoca um viver assim dói mais do que morrer
porque não é algo que morreu e passou, é algo que continua vivo mas impossível de ser vivido, tipo um estado vegetativo do ser
Eu acho que isso dói mais do que qualquer outra coisa
Mas a gente vai tentando sufocar mais
Uma máscara aqui
Outra ali
Quem sabe a gente esquece...
Aí vem aquela música lá
Aquela lembrança
E tudo começa a queimar de novo
E eu acho q um dia acostumo com esse gosto amargo
pelo menos eu lembro que o Sargo se acostumou
Se ele acostumou eu posso..
- "Quem sabe o que vai ser do futuro?"-
Muito ja ouvi isso
Mas não de quem tem um ácido corroendo sua existência dia após dia
Não é drama
é um viver que foi roubado
e depois disso teve que ficar calado e afogado.